sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ideologia, Eu Não Quero Uma Para Viver

Caros amigos,

A maior parte dos brasileiros conhece a música de Cazuza:
"Meus heróis morreram de overdose,
meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma para viver!"

Bem, eu não quero uma para viver.

A letra de Cazuza, quase um grito desesperado, em momento de completa desilusão, é, para mim, um raro sinal de discernimento. Caso alguém consiga atingir esse ponto, pode-se dizer que muito de seu sofrimento é extinto.

Batizado em duas tradições cristãs, a católica e a presbiteriana, vivenciei o culto ao dualismo, à 'luta entre o bem e o mal', entre Deus e o diabo. E, ao mesmo tempo, estudava em uma escola cuja tradição filosófica não possuía as mesmas crenças cristãs e, até como uma atitude de auto preservação, criava o seu dualismo ao se contrapor ao cristianismo.

E ainda por cima, meus pais, respeitosos para com todas as crenças, deixaram que meu irmão e eu visitássemos um centro espírita, a convite de um casal amigo, para receber 'passes', possivelmente por estarmos meio 'endiabrados' em casa. Como conhecia meu pais, sabia e sei que a opção do exorcismo estava, obviamente, descartada.

E para completar a confusão, mesmo não sendo descendentes de alguma família do oriente médio, éramos sócios do Clube Libanês, em uma época em que praticamente somente os libaneses frequentavam o clube, que era uma mistura de cristãos e muçulmanos.

Após essa rica experiência em minha infância, venho estudando, com respeito e curiosidade, as várias manifestações religiosas que, ao longo dos séculos, vem sendo praticadas pela humanidade.

Ao estudar o budismo, não como religião, mas como prática de vida, descobri a minha falta de fé em qualquer credo e, o mais incrível e paradoxo, a minha falta de fé na própria descrença, fruto da curiosidade e do aprendizado que tive e tenho com os mais diversos textos religiosos. E as práticas budistas ainda me fizeram o favor de aumentar meu respeito por outros pontos de vista. Bem, pelos que não são nocivos aos seres vivos.

Mas, por que uso o exemplo da religião em um momento de ebulição política em nosso país?

Exatamente porque eu só consigo ter como referência as diversas desavenças religiosas, que também são frequentes no noticiário, para escrever sobre o dualismo exacerbado que vejo nas redes sociais e nas ruas, principalmente.

Ao abrir minha linha do tempo no Facebook, encontro alguns absurdos, como a defesa cega, por alguns poucos, do retorno de um governo militar ditatorial, como solução para os 'desmandos de nosso país'. Figuras patéticas e caricatas, como a do Sr. Bolsonaro, habitam o ideal de jovens, bem como também de pessoas de meia idade e velhos. A memória fraca, o pouco estudo histórico e, em alguns casos, um natural caráter agressivo e até desrespeito pelo sofrimento alheio, levam algumas pessoas a defenderem a violência e a tortura policial e a intervenção militar de linha dura.

Encontro, em número bem maior, defensores do governo Dilma e do líder máximo do PT, Lula. Esses apoiadores, que se chamam de 'esquerda', demonstram um comportamento fanático e cego, próximo ao fundamentalismo de seitas religiosas. Ao invés de se posicionarem a favor da permanência do governo por eles apoiado, porém criticando-o pelos mais que visíveis erros de conduta, corrupção, gastos excessivos com viagens de oba-oba, dentre inúmeros outros pontos negativos, muitas vezes inerentes à nossa classe política, apenas se fecham em sua defesa, muitas vezes agressiva. Raras são as críticas vindos dos petistas em relação aos seus líderes.

Tal exagero faz com que eu me lembre de Jim Jones, líder do culto 'Templo dos Povos', famoso devido ao suicídio / assassinato em massa, em novembro de 1978, de 918 dos seus membros em Jonestown, Guiana, além do assassinato do congressista Leo Ryan e de quatro mortes adicionais em Georgetown, capital guianense.

Tudo vale em função do projeto de governo. Roubos, má administração, políticos intoxicados pelo poder, desviando-se da ´ética' do partido, não são motivos suficientes para a existência de uma, pelos menos uma só crítica ao governo petista.

Também encontro, em número igual ou superior, 'posts' com as críticas dos detratores do governo, muitas vezes tão agressivos quanto os defensores de uma ditadura militar de linha dura, mas nitidamente menos radicais. Para estes e esses, tenho um comentário: O PT não caiu de paraquedas!

Leciono idiomas há 27 anos. Inglês, espanhol e francês. Mas se eu não lecionasse inglês, estaria com dificuldades, pela natural menor procura pelos outros idiomas. Caminhe pela cidade e verifique quantas escolas há de ensino de inglês e quantas há dos outros idiomas. Um produto, partido político ou qualquer outra coisa, existe porque há procura.

Daí meu comentário. Por que o movimento 'PT' cresceu no Brasil? É porque nele havia e há quadros políticos de renomada capacidade? Sinceramente, não acho. Será porque, no momento de sua criação, o mundo ainda vivia sob o dualismo americano-soviético e o PT seria um partido que tenderia para o lado comunista? Bem, essa até poderia ser uma explicação, mas não para o crescimento do partido e sim para sua criação, pois seus fundadores eram os chamados 'intelectuais de esquerda', ligados aos movimentos comunistas, soviéticos ou maoistas, que, para mim, não passam de 'comunistas caviar'. Pessoas normalmente de classe média ou rica, muitos vivendo de forma aristocrática e que jamais gostariam de perder seus privilégios. O modo de vida dispendioso normalmente não acompanha o discurso.

O PT cresceu pois nosso sistema atual de votação é baseado no sufrágio universal, no qual os adolescentes acima de 16 anos têm direito ao voto, sem distinção de etnia, sexo, crença ou classe social. Desprezados, esquecidos, esfomeados e sem qualquer esperança, pobres e miseráveis, se livrando do antigo coronelismo brasileiro, se juntaram à tradicional, porém pequena, militância petista, e conseguiram eleger, pouco a pouco, vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores, senadores e presidentes.

Por populismo ou solidariedade, ou uma mistura dos dois, e me considero incapaz de julgar a proporção da verdadeira intenção dos programas sociais, o PT conseguiu levar comida a lares que jamais tiveram qualquer assistência por parte dos governos anteriores. Só sabe o que é fome na vida quem sofre ou já sofreu por falta de comida. Felizmente, não é meu caso.

Mas tais políticas dependem de dinheiro e de uma administração enxuta, com seriedade para com as contas públicas. Infelizmente, essas não são, historicamente, características de governos de 'esquerda'. O PT se beneficiou de um período da história brasileira em que exportamos de forma espetacular para o voraz consumo capitalista-comunista chinês. O dinheiro entrou, foi usado sem controle e, quando secou, o buraco estava fundo demais.

E fica a observação: Caso não se deseje que uma administração nociva como a petista, de aparelhamento de estado, gastos desordenados e populismo retorne ao nosso país, que passemos a pensar nos miseráveis que ainda habitam as nossas regiões pobres. Mas, como disse o senador Cristóvam Buarque, criador do Bolsa Escola, depois modificado e renomeado como Bolsa Família: 'No princípio do Bolsa Escola, no governo FHC, a família dizia que ganhava a bolsa, pois seu filho ia à escola. Hoje diz que recebe a bolsa, pois é pobre!' E o senador completa: 'Caso se interrompesse o Bolsa Família hoje, isso seria uma tragédia. Mas se, em 20 anos, o Bolsa Família continuar como está, também será uma tragédia!'

Ideologia é, como o próprio nome indica, um conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas.

É como se alguém pegasse uma tesoura de conceitos, cortasse um pedaço com alguns deles e isso se tornasse a verdade absoluta sobre algum assunto.

Tenho sido um observador dos movimentos da política e um crítico do governo que acaba de dar seu adeus, temporário ou não. Mas, nesse processo, não me privo de criticar políticos nos quais votei ou não e que pertencem aos mais variados partidos. Por isso, não sem dificuldade, busco fugir dos fixos e limitados sistemas de ideias que, para mim, significam um cárcere. Mas faço isso mantendo-me respeitoso para com o bem estar público, repudiando os preconceitos e os fundamentalismos e mantendo-me aberto ao diálogo.

Para concluir, gostaria de ilustrar o texto com o riquíssimo personagem Spock, criado para o seriado de televisão Jornada nas Estrelas, de 1966. Em cena do filme Star Trek, de 2009, contracenam o jovem e o velho Spock. A evolução do personagem, inicialmente preso à sua filosofia de comportamento, que chamava de 'lógica', fez com que, nessa cena final, o velho Spock desse um conselho para o jovem Spock: 'Spock, nesse caso faça um favor a si mesmo: deixe a lógica de lado. Faça o que parece ser certo', ou 'o que você sente ser o certo'.

Que o universo nos abençoe e possamos sair dessa situação com serenidade e diálogo.

domingo, 17 de abril de 2016

Está Difícil Encontrar Um Noé

Está Difícil Encontrar Um Noé

Para o mundo ocidental, a lenda do Dilúvio, da Arca de Noah, ou Noé, é muito conhecida. E é aceita como verídica por muitos judeus, cristãos e muçulmanos. Essa estória já está contida no épico de Gilgamesh. Os hebreus souberam dela quando de seu exílio na Babilônia e a reproduziram da sua forma. Mas isso não tem tanta importância para nossa história. Ou tem?
Por que aqui escrevo: ‘Está Difícil Encontrar Um Noé’?
Noé, segundo relatam alguns especialistas em religião judaica, não era bem um sujeito nota 10, um Francisco de Assis para os cristãos. Mas era o que tinha de melhor na região. E foi com ele mesmo que Jeová seguiu com seu projeto de extermínio de quase todos os seres vivos.
E aí está a nossa situação, às vésperas de uma exótica votação de impeachment.
Em um texto que escrevi, sob o título ‘O País dos Golpes’, publicado nesta mesma página no final do ano passado, descrevi como o sujo jogo político se desenrola no Brasil.
Parece que nada está certo.
Comandando o executivo, pelo menos no papel, está a Sra. Dilma Rousseff, com um passado que não é dos mais limpos, guerrilheira para a causa da ditadura do proletariado.
Tem o direito de consertar? Claro, todos temos.
Mas não é o que se tem visto. Seus seguidores dizem, para os quatro cantos, que ela pode até não ser uma boa presidente, mas é honesta.
Caros amigos. Honesta? Tenho absoluta convicção, pois não sou tolo, de que a Sra. Dilma tinha total conhecimento dos desvios da Petrobrás para os projetos de poder do PT e aliados. Isso é honestidade?
E os gastos faraônicos de seu governo. Lembro que, para a recente convenção do clima em Paris, no meio de uma devastadora crise econômica, ela levou 900 pessoas, ficando as mesmas em hotéis de luxo na capital francesa. Isso é ser honesta?
E sobre as mentiras durante o processo de reeleição, além de, agressivamente, destruir pessoalmente a candidata Marina Silva?
Para não cansar mais os leitores, deixando de lado as dezenas de outros exemplos existentes, somente digo-lhes: Isso é desonestidade!
Mas quais são as opções: Michel Temer.
Alguns dizem que é um vampiro, no sentido mais direto da palavra, pois está se aproveitando da situação. Está aí fazendo das suas, se reunindo na maior ‘cara-de-pau’ com líderes políticos das mais variadas etnias, já formando seu ‘governo’. Devia ser mais discreto. Curiosamente, também pode sofrer seu impedimento, com direito a dois possíveis processos.
Outra opção: Eduardo Cunha. 
Esse aí, segundo as palavras de Roberto Jefferson, o que denunciou o ‘mensalão’, é um 'pistoleiro', ‘o único adversário a altura de Lula e da quadrilha que aí está’, pois, nesse caso, é ‘uma briga de foice’, onde ‘vale tudo’.
Rodrigo Janot, procurador-geral da República, o chamou de delinquente. 
Cunha está atolado com os processos de corrupção que recaem sobre ele. O Supremo Tribunal Federal vai começar a julgá-los e ele não dura muito não.
Ele é o retrato de um Congresso Nacional cheio de desconhecidos, muitos deles aguardando na fila para serem julgados pelo STF, pois, como têm foro privilegiado, não podem ser julgados no Tribunal de Primeira Instância. Mas são pessoas eleitas por nós mesmos. Fiquem de olho em quem vocês vão votar na próxima eleição.
Renan Calheiros é a opção seguinte ao Sr. Cunha. Aliado fiel de Lula e Dilma, não fica atrás. Está aí desde o Collor, fazendo das suas. Em 2009, durante um discurso que pedia a renúncia de Sarney da presidência do Senado, o então senador Pedro Simon criticou Calheiros muitas vezes. Uma de suas falas é: 'Calheiros abandonou Collor quando lhe foi conveniente e  sempre apoiou qualquer governo'. Sobre ele há muitas acusações graves, vindas da operação Lava Jato. É bem capaz de cair também.
Como um dominó, será que teremos um futuro não mencionado pelos analistas mais experientes.
A minha ‘Noé’ é a ministra Cármen Lúcia, a senhora de lindos cabelos. Não que eu goste de todas as suas decisões, mas entre todos os citados, é nossa única esperança de seriedade. Com a saída do sinistro ministro Lewandowsdi da presidência do STF, quem será eleita é a ministra Cármen Lúcia. Serena, educada e didática. É a quinta na linha sucessória do poder executivo.
Será que ela, no caso de um impeachment e queda dos outros diversos sucessores, pode nos conduzir até às próximas eleições como...Presidente do Brasil. Sim, Presidente, pois ela não teria o mau gosto de usar um termo tão horroroso, em português, como o usado pela Sra. Dilma.
Não sou um religioso, mas sou um estudioso do tema. Então, aqui termino com a linda passagem do arco-íris, contida na estória do dilúvio bíblico. A bela  tradução, vinda dos originais mais antigos, foi realizada pelo francês judeu André Chouraqui, e traduzida para o português por Carlito Azevedo.
Se nossos governantes pudessem esquecer a cobiça que há em seus corações, nosso país seria certamente muito melhor. Que o arco-íris no céu de Brasília possa iluminar suas decisões!
Que o Universo nos abençoe, seja qual for o resultado de hoje!
Um abraço aos amigos e obrigado por lerem minhas palavras!

Gênesis 9,12-16
12. Elohîms diz: “Eis o sinal do pacto que ofereço
entre mim, entre vós
e entre todo ser vivente que há convosco
pelos ciclos perenemente.
13. Meu arco, à nuvem eu o dei,
ele é o sinal do pacto entre mim e a terra,
14. quando eu fizer nublar a nuvem sobre a terra
e meu arco tornar-se visível na nuvem,
15. eu memorizarei meu pacto entre mim, entre vós
e entre todo ser vivente em toda carne.
As águas não mais serão para o dilúvio,
para destruir toda carne.
16. E o arco está na nuvem:
eu o vejo para memória do pacto de eternidade,
entre Elohîms e entre todo ser vivente,
em toda carne que está sobre a terra.”

Comentário do Tradutor: Elohîms renuncia à guerra contra a humanidade; como um guerreiro, ele depõe seu arco nos céus, ele se desarma e este gesto deve recordar-lhe, e também ao homem, sua lei de vida, seu novo pacto com a criação inteira. Ao caráter universal do pacto corresponde um signo cósmico universal: o arco-íris enquanto símbolo de paz.
Quando ele escreve ‘Elohîms’, ele se refere ao que chamamos ‘Deus’, em português.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Um Dia Histórico

Caros amigos,
Ontem, dia 13 de março de 2016, realmente entrou para a história.
Milhões de pessoas nas ruas de todas as capitais do país, milhares em outras tantas cidades menores, todas protestando contra o governo da presidente Dilma e contra o ‘honestíssimo’ e ‘modesto-em-suas-palavras’ Lula. E todas apoiando as investigações da lava-jato, que já é instituição nacional, liderada pelo juiz Sérgio Moro. Foi a maior manifestação brasileira de todos os tempos!
Uma parte da população, agarrada ao governo vigente, historicamente associada ao PT e outros partidos chamados de ‘esquerda’ (sempre o dualismo), tenta, há meses, tirar a validade das notícias veiculadas pela imprensa e replicadas nas redes sociais. Sim, concordo que há exageros, e dos ‘dois lados’, mas, com a prática, os bem-intencionados conseguem filtrar as informações que vem das suas fontes.
Essa mesma parte da população, que também tem o seu direito de se expressar, é claro, tenta associar os que vem protestando aos direitistas, golpistas, neonazistas, pessoas que buscam o retorno ao regime militar e bobagens do tipo. Sim, no meio de milhões, encontramos alguns que, por não terem vivido a época das colossais ditaduras, sejam elas chamadas de ‘esquerda’ ou ‘direita’ (olha o dualismo aí de novo!), ou por absoluta falta de memória, ou por idiotice mesmo, defendam golpes militares no estilo da antiga quartelada, tão comuns na América Latina.
No sábado, dia 12 de março, ainda encontrei em minha linha do tempo, uma charge ligando a manifestação que ocorreria no dia seguinte à que ocorreu antes do golpe civil-militar (e depois só militar) de 1964. Como se a população fosse aceitar um golpe desses. E como se isso fosse muito provável, ou seja, como se, em um passe de mágica, aparecesse uma espetacular liderança militar e tomasse o poder, ‘para fazer a limpeza’! Parece piada, mas tem gente que ainda acredita nisso, dos chamados ‘dois lados’ (olha os dois lados se bicando de novo).
Ainda falando dos radicalismos, durante toda a semana passada o desespero tomou conta dos que não queriam o sucesso das manifestações de ontem. Era veiculado em blogs e sites de extrema esquerda, replicados nas redes sociais, que o objetivo das manifestações era criar um clima de violência! Pura besteira, pois tirando um ou outro caso, como o do sujeito que foi detido carregando um extintor de incêndio na mochila (há sempre um idiota no meio, é claro), as manifestações ocorreram de forma extremamente pacífica, demonstrando o bom nível de educação e respeito cível das pessoas que foram às ruas.
Aqui, e com justiça, é importante elogiar o comportamento da Presidente Dilma Rousseff, que pediu às suas bases que essas solicitassem aos seus seguidores não saírem às ruas, para evitar confrontos. Disse que iria respeitar as manifestações e assim foi por todo o dia. Lula, ao contrário, quase incendiou o país com seu discurso escatológico de uma semana atrás, ‘proferido’ após ser emparedado pela justiça.
Hoje, 14 de março, ainda li um ou outro texto mencionando que não havia pessoas simples nas ruas, na tentativa inglória de diminuir o sucesso das manifestações de ontem. As imagens são fartas, com gente de todo jeito, brancos, negros, amarelos, se assim podem ser chamados, ricos (aí não, ricos mesmo não estão preocupados, pois são sempre beneficiados), classe média, classe c etc etc. Talvez a grande massa possa ser mesmo da classe média, em todas as suas divisões, o que é importante ressaltar. Mas é exatamente essa classe que, ao trabalhar e consumir serviços gerais, paga os impostos deste país, ou seja, o dinheiro que deveria ser bem distribuído em educação, saúde, transporte, segurança de qualidade, dentre outros, e não é.
Caiu por terra todos os argumentos defendidos por mentes atoladas em anos de lavagem cerebral. É difícil se livrar das ilusões, das formações mentais enraizadas na consciência armazenadora.
Mas o que importa é que boa parte da população está extremamente desiludida. Este é o primeiro passo. E o que fazer?
Primeiramente, na vida pessoal de cada um, verificar o que pode ser mudado. Deve-se analisar se não está corrompido em seu pensamento egocêntrico, se não pratica também atos de corrupção, tão presentes no dia-a-dia de nosso país.
E sobre o governo? O que fazer? Dilma-Temer-Cunha-Calheiros. Taí a linha sucessória! Cada um pior que o outro!
É óbvio que a chamada ‘oposição’ vai querer levar vantagem na possível queda de Dilma. Mas, no caso de vitória de um Aécio ou Alckmin, por exemplo, em uma futura eleição (tomara que não!), não pensem eles que terão a mesma vida fácil que já tiveram como governadores de seus estados. Vão ter que caminhar no fio da navalha! Ontem, ficou bem claro, pelas imagens, áudios e fotos, a rejeição dos manifestantes a qualquer um que quisesse capitanear vantagens políticas com as manifestações.
Vitoriosos: O povo brasileiro e o juiz Sergio Moro, agora renovado para continuar seu trabalho.
Que o universo nos abençoe e que possamos caminhar para soluções melhores, tanto para nós mesmos como para nosso país!
Agradeço pela leitura de minhas palavras e que tenham um ótimo dia!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Impacto nos Cursos D'água de Cidades Históricas Mineiras

As Barragens do Fundão e de Santarém, ambas em Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, romperam na tarde de 5 de novembro de 2015. Causa: péssimo estado de conservação e omissão dos proprietários, fiscais e governantes, mantendo-as em sua capacidade máxima de utilização. Elas foram construídas pela Samarco Mineração S.A. (Vale S.A. e BHP Billiton) usando técnicas primitivas para acomodar rejeitos provenientes da extração de minério de ferro. Seu objetivo foi contribuir para a manutenção da ganância e consumo excessivo dos seres humanos. O rompimento das barragens causou o maior desastre ambiental do Brasil, em toda sua história, e um dos maiores do planeta.
Passaram-se três meses de muita confusão, pouca punição e o Rio Doce está mais sujo ainda.
Para começar a discutir um assunto, temos que conhecê-lo melhor. Então, com a licença da arquiteta Susana Leal Santana, aqui abro o espaço para a publicação de sua importante Dissertação de Mestrado (Escola de Arquitetura - UFMG, 2013).
O título é:
Impacto nos Cursos D'água de Cidades Históricas Mineiras: Estudo de Caso : Córrego do Seminário de Mariana.
Encontrado em PDF no link abaixo (ao abrir a página, o acesso ao PDF está bem no final)
http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/…/han…/1843/AMFE-9B8PXC
Fica a frase, presente na dissertação:
“O Ciclo do Ouro nos deixou o Barroco, o Ciclo do Ferro nos deixa o Barraco.”
Ângelo Oswaldo de Araújo Santos*
(Então prefeito de Ouro Preto, na sua terceira administração, em audiência pública sobre tombamento da Serra da Moeda na
Assembleia Legislativa de Minas Gerais)

Thor na Terra dos Gigantes

Caros amigos,
Cada cultura possui sua raiz e, em todas, podemos encontrar ótimos exemplos para nossa vida.
O que envio em anexo vem da antiga e rica religião germânica, ainda presente na literatura (Senhor dos Anéis, p. ex.), Ópera (Richard Wagner), filmes (A Maldição do Anel e Thor, p.ex.), dentre outras áreas. Suas histórias e ensinamentos podem ainda nos ajudar, como na, hoje considerada lenda, história de ‘Thor na Terra dos Gigantes’.
Não gosto de enviar textos grandes, mas, caso queiram ler, este merece. E digitalizei de um livro que é enriquecido com desenhos e as letras são grandes. Especialmente para transmitir uma mensagem que acho muito importante.
Às vezes corremos o mundo atrás de algo, nos desgastamos em excesso, tentamos convencer as pessoas sobre alguma coisa ou perdemos muito tempo atrás de um desejo. Falando deste, há aquela idéia antiga-moderna de que, quando queremos muito alguma coisa, temos que nos concentrar ardentemente nela...e aí obtemos a mesma. E nosso ‘ego’ incha todo. E dizemos para nós mesmos e para os outros: ‘Tá vendo...eu consegui. Sou o bom’. E após conseguir, horas ou dias depois (dependendo da coisa ou da conquista), já não nos importamos mais com ela. E, em muitos casos, ocorre o pior: nos arrependemos de ter um dia desejado, pois o prejuízo que nos causou foi muito grande. Machucamos a nós mesmos e aos outros.
Mas, é claro, nada nos impede de ter a vontade positiva de crescer profissionalmente e pessoalmente. Para isso devemos, de forma natural e sem agredirmos a nós mesmos e aos outros, nos dedicarmos às nossas aptidões e aos relacionarmos com as pessoas de forma autêntica.
Para quem quiser conhecer um pouco do mundo nórdico, que sobreviveu ao agressivo fundamentalismo religioso medieval (infelizmente presente até hoje, em suas diversas faces), eu lhes envio as páginas em anexo.
O texto é dedicado à minha querida Laila Kierulff, autêntica Viking, mesmo com sua ternura, gentileza e doçura!
Grande Abraço e Ótima Semana!
Ernesto Abreu Valle
Observação:
O material foi utilizado somente com o objetivo de ilustrar uma mensagem. Não há fins comerciais. Dados do livro:
‘O Livro Ilustrado dos Mitos’
Recontados por Neil Philip
Ilustrado por Nilesh Mistry
Ed. Marco Zero





sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O País dos Loucos

O País dos Loucos

Você já visitou um hospital psiquiátrico? Mas não estou falando de um hospital particular, com toda sua discrição e assepsia. Eu me refiro aos hospitais públicos e, mais especificamente, a ala dos regredidos.

Terça-feira, 15, e Quarta-feira, 16 de dezembro de 2015 entrarão para a história do Brasil. Historiadores acadêmicos esquecerão essas datas. Mas foram dias dos mais loucos que já presenciei no país em que, como dizia o filósofo Kafunga, ‘o errado é que é o certo’.

Pela manhã do dia 15, bem cedo, lá estava a Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumprindo mandado de busca e apreensão na residência oficial do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em Brasília. Também foram cumpridos mandados na casa e no escritório de Cunha no Rio de Janeiro e na Diretoria Geral da Câmara dos Deputados.

Renan Calheiros, presidente do Senado também foi rondado. Teori Zavascki, do STF, negou o pedido da Procuradoria Geral da República que solicitou mandado de busca e apreensão na residência do senador pelo PMDB-AL. Porém, o STF autorizou buscas em endereços de pessoas ligadas a Calheiros .

Endereços de vários outros deputados, senadores e ministros de estado também foram alvo de buscas e apreensões, notadamente Celso Pansera, ministro da Ciência e Tecnologia e Henrique Eduardo Alves, ministro do turismo. A ação, batizada de Catilinárias, faz parte das investigações da Operação Lava Jato.

Como Eduardo Cunha, um político que vem sendo desmascarado e mostrado à população como um dos mais nocivos ao nosso país, está em uma guerra pessoal contra a presidência da república, recebi várias postagens de amigos petistas comemorando as operações de buscas. Invariavelmente, as postagens continham vídeos do site G1, das Organizações Globo, do jornalista Ricardo Boechat, da Band e, em número muito menor, do site do jornal Estado de São Paulo, o ‘Estadão’.

Como não tenho opção partidária e nem ideologia, acompanhei esses ‘posts’ com muita curiosidade, mas sem nenhuma surpresa. Ora, a Globo e seu canal de tv à cabo GloboNews, mesmo tendo feito longas e corretas reportagens sobre as buscas, são historicamente criticados por 100% dos petistas e não deveriam ser usados em postagens destes, pois, de acordo com os ‘esquerdistas’, as citadas mídias são golpistas. O mesmo vale para Boechat, que já foi muito criticado por petistas e também para o Estadão, chamado de ‘direitista’. ‘Mesdames et Messieurs’, sejam ‘élégants’. Não ajam de forma hipócrita, ‘s’il vous plaît’! Procurem outras fontes para seus ‘posts’!

Alguns conhecidos meus escreveram em suas postagens que só confiariam na Lava Jato se essa prendesse políticos do PSDB. Gostaria de informar-lhes, sem nenhum amor aos social-democratas tucanos, que o problema aí é cronológico. Temos que fazer uma viagem no tempo para chegar ao último governo de FHC, em 2002. 2002! Ainda não há disponível parâmetros oficiais para dizer-lhes sobre os atos corruptos de governos passados, que creio terem ocorrido. A operação Lava Jato se concentra nos fatos possíveis de investigação, ou seja, a corrupção absurda, destrutiva e irresponsável da administração petista, comandada por seus principais caciques, muitos já presos. A quantidade de informações e gente envolvida é tão grande que, até chegarmos em 2002, em 1998 ou antes, vai demorar um tempinho bom. Gostaria muito que isso também ocorresse. Mas até lá, o glúten já vai estar liberado pelos médicos e nutricionistas, salvo em caso de alergias.

Mas não se desesperem! Políticos do PSDB já começaram a ser presos também! Quando conversava com ‘esquerdistas’ sobre o mensalão petista, que teve números altíssimos de desvio de dinheiro e dimensão federal, logo escutava a pergunta: ‘e o mensalão tucano?’, como se eu fosse partidário do PSDB. Como foi impossível comunicar-me de forma oral com aqueles petistas, recorro à forma escrita para responder-lhes agora, caso queiram ao menos ler, é claro: Por mais nocivo que possa ter sido o mensalão tucano, ele foi regional, voltado para a reeleição de Eduardo Azeredo a governador do Estado de Minas, que ele não ganhou. Existe um ‘Grand Canyon’ entre um caso e outro. Não vou entregar-lhes de bandeja qual foi o verdadeiro mensalão tucano, pois não acuso ninguém e nenhuma instituição sem provas documentadas e já me bastam suas chatices cotidianas.

Ainda sobre Azeredo, faço meu comentário particular. O conheci pessoalmente em um encontro formal na cidade do Rio de Janeiro. Educado, sereno. O agradeci por ter nos proporcionado, quando prefeito de Belo Horizonte, maravilhosos espetáculos de música erudita, muito variados, de forma gratuita, no Teatro Francisco Nunes, todos os domingos às 11h da manhã. Naqueles concertos havia pessoas de todas as cores e classes sociais. Guardo muitas daquelas exibições como fonte de inspiração artística até os dias de hoje. A valorização da cultura era muito importante em sua administração. Triste fiquei com as notícias de seu envolvimento nos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. De forma diferente dos que defendem cegamente políticos vergonhosos como Genoíno e Zé Dirceu, acato a decisão da justiça. Azeredo deve pagar pelos seus crimes. Mas, somente como informação, a condenação foi em primeira instância, cabendo recursos.

A Globo realizou uma ampla cobertura do julgamento. A experiente repórter Isabela Scalabrini foi escalada para a reportagem. Petistas novamente utilizaram links do site G1 da Globo para divulgar a notícia. Caros amigos, vocês não a chamam de ‘Grobo’? E ela não faz só ‘reporcagens’? (?!)

Mas a quarta-feira ainda reservava algumas surpresas. Lula prestou depoimento, na condição de informante, dentro do principal inquérito da Operação Lava Jato. A cobertura da imprensa foi ridícula. Os telejornais dedicavam 15 segundos ao fato, por demais histórico, pois sabemos que Lula está sendo rondado pela PF. O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso pela Lava Jato, resolveu negociar uma delação premiada, após ser apresentada a ele uma declaração de Lula, que, durante um almoço na sede da CUT, chamou de ‘coisa de imbecil’ o ato que culminou na prisão de Delcídio.

E as manifestações a favor da Dilma. Pão com mortadela, transporte, camisetas e bonés fornecidos por partidos de ‘esquerda’, CUT e outros. Isso me faz lembrar dos ‘coronéis’ que, em época de eleição, enchiam (e ainda enchem) seus caminhões com gente humilde, dando algum alimento e alguns ‘espelhinhos’ (ops! ‘Espelhinhos’ eram para os índios) para que esses votassem nos próprios ‘coronéis’ ou em seus candidatos.
Estimativa total dos manifestantes em todo o Brasil: 98 mil pela Polícia Militar e 292 mil pelos organizadores. Ridículo! Quando ainda acompanhava futebol, fui a um jogo do Flamengo, no Maracanã. Tinha uns 150 a 180 mil torcedores. Zico levava mais gente, pagando ingresso, em 1 ou 2 jogos, em uma só cidade, do que a Dilma em todo o Brasil para manter seu cargo de presidente.

Seguindo na quarta-feira (Ufa!), a Fitch, agência de classificação de risco, rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento do país. É mais uma coroação de um governo incompetente, bagunçado e desrespeitoso para com os cidadãos de todas as classes sociais.

E ainda ocorreu o início do julgamento do STF sobre o processo de ‘impeachment’ da presidente Dilma. O ministro Fachin, indicado por Dilma e defendido por Álvaro Dias (PSDB), foi, de forma honrada, isento e deu se parecer como relator. Foi derrotado na quinta-feira, mas esse dia fica para depois. Dilma foi defendida pelo PCdoB. Pode-se imaginar, em 2015, que um partido desses, com ideias tão atrasadas, possa ter tanta força? Coisas de Brasil.

Para completar, às 0h de quarta para quinta-feira, sai do ar o aplicativo Whatsapp. Coisa meio chinesa, meio cubana, ‘cheirando’ censura. Cabe ainda comentar sobre os motoristas de taxi, que vêm abordando motoristas do Uber, dando-lhes surras estilo Daesh (estado islâmico). Os mesmos taxistas devem também concordar com a proibição do uso do Whatsapp, não é? As operadoras de telefonia, que reclamam do aplicativo, mas oferecem serviços ruins e caros, fazem parte da loucura chamada Brazil.

Voltando ao meio político, todo mundo esteve na roda: Dilma, Cunha, Calheiros, Azeredo (lê-se PSDB) e Lula. Estou certo que este último é o grande responsável pelo Brasil de hoje. Espero que a justiça possa julgá-lo e, caso apresente provas claras, condená-lo, seja aqui ou no exterior.

 Opa! Faltou o Temer. Mas, sua cara de mordomo de filme de terror (segundo o historiador Marco Antonio Villa) já apareceu muito nesses últimos dias. O mordomo é sempre o culpado? Nem sempre, mas pode ser.

Após esta fase de esclarecimentos, em 2016 começarei a apresentar como vejo os caminhos para as soluções de nossos problemas. Não basta só reclamar, pois, no Brasil real, o buraco está aumentando e os políticos jogando dama. Não jogam xadrez, pois seria muita exigência para a pouca inteligência deles.

Para encerrar, apresento trecho de um dos discursos do cônsul romano Cícero contra o senador Catilina, que inspirou o nome da Operação Catilinárias:

“Até quando, Catilina, abusarás
da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?”

Caros amigos, espero que o futuro não pertença aos loucos.

Muito obrigado pela leitura.
Ernesto Abreu Valle