sábado, 11 de fevereiro de 2017

Sabe O Que É Déjà-Vu?


Escrevo este texto para ser coerente com minha posição, que está afastada de ideologias de direita ou esquerda. Repudio atos que considero um atraso para nosso país, independente dos autores. É minha pequena contribuição para nossa evolução. Em 2016, no dia da nomeação do ex-presidente Lula para ministro, eu fui contra esta e considero o cancelamento da mesma um fato histórico positivo para nosso país. E, então, não posso concordar com a nomeação de Moreira Franco para o cargo de Ministro, agora em 2017. Aproveito para analisar também as polêmicas indicações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes para ministros do STF.

A tradução do termo Déjà-Vu, em francês, quer dizer algo que não é novidade, ou seja, 'já visto'. E, de uma forma um pouco mais complexa, é aquela sensação que uma pessoa tem, ao ir a um local em que nunca esteve, de que já estivera ali antes. E a expressão pode ser usada também para sensações semelhantes em relação a textos 'que nunca leu', quadros e gravuras 'que nunca viu' ou pessoas 'que nunca encontrou'.

Mas voltemos à primeira explicação, a do dicionário Robert, para tentar entender o que acontece no Brasil. Parece que as situações, saem governos entram governos, continuam uma mesmice, uma banalidade só. Às vezes uma preocupação maior com a parte social, mas 'quebrando' a população pobre trabalhadora/empreendedora que está em ascensão por esforço próprio. E às vezes uma atitude mais equilibrada com a parte econômica, mas fortalecendo as desigualdades, tão evidentes em nosso país.

O que ocorreu nos últimos dias, só para ficarmos nas nomeações e indicações, é um clássico caso de Déjà-Vu! E mais fácil de compreender impossível!

Em outubro de 2009, com apenas 39 anos, José Antonio Dias Toffoli foi empossado no Supremo Tribunal Federal. Ligado até o osso com o governo vigente, sua indicação foi longe da ideal. Dentre outros cargos, foi consultor jurídico na Central Única dos Trabalhadores de 1993 a 1994, assessor jurídico da liderança do Partido dos Trabalhadores de 1995 a 2000 e atuou como advogado de três campanhas presidenciais de Lula da Silva, nas eleições de 1998, 2002 e 2006. Entre 2003 e 2005 foi subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, e, em 2007, foi nomeado por Lula para o cargo de Advogado Geral da União, permanecendo neste até 2009, quando foi indicado pelo mesmo presidente ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Uma série de polêmicas e acusações cercam a carreira desse senhor, antes e depois de sua posse. Além disso, o meio jurídico o considera um profissional sem notório saber, um advogado não muito preparado para cargos de mais responsabilidade. Sua situação para participar do julgamento do mensalão, segundo o ministro Marco Aurélio Mello, era 'delicada', pelo longo envolvimento pessoal e profissional com vários réus e, pasmem, com Roberta Rangel, sua namorada e advogada de acusados no processo!

Mas o pastelão nacional, entre os quatro casos apresentados neste, foi a nomeação, em 16 de março de 2016, pela presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, substituindo Jaques Wagner. E também sua posse relâmpago, já no dia seguinte. Independente da legalidade ou ilegalidade de gravações liberadas pelo Juiz Sérgio Moro, o que 'atrapalhou' a posse de Lula, o fato é que a conversa entre Lula e Dilma, entre outras, é clara para qualquer pessoa com isenção. Ficou muito evidente a manobra para proteger Lula com o foro privilegiado, pois este estava pressionado pela justiça. Partidários do PT e demais 'esquerdas' reclamaram muito. O discurso desses ignorava totalmente o conteúdo dos áudios, como se o fato não tivesse importância. Segundo um amigo me disse há muito tempo: 'hoje em dia nem caipira é bobo mais!'

E aí vêm as notícias desse princípio de fevereiro de 2017. Uma repetição de práticas passadas.

Primeiro foi a nomeação, em 3 de fevereiro de 2017, pelo presidente Michel Temer, de Wellington Moreira Franco para ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Em si o fato não teria nenhuma repercussão, já que Moreira Franco estava dentro do governo e sua nomeação somente oficializaria funções que já exercia. Mas a coisa não é tão simples assim. Tudo se deve à possível participação de Moreira em esquemas de corrupção delatados por Cláudio Melo Filho na Lava Jato. Então, a nomeação também serviria para proteger o político com o já citado foro privilegiado. Uma pequena batalha jurídica se travou para decidir a situação de Franco. Até o momento ele teve sua nomeação aprovada com a exigência da não elegibilidade ao foro privilegiado. Mas a decisão final está nas mãos de Celso de Mello.

E sobre a indicação, oficializada em 6 de fevereiro de 2017, de Alexandre de Moraes para ministro do Supremo Tribunal Federal, aos 48 anos de idade? Tem aparente melhor formação jurídica que Dias Toffoli, apesar de muitas polêmicas envolvendo suas obras, pois foi acusado de copiar trechos de livros de outros autores sem creditar as devidas autorias. Moraes também tem forte envolvimento político partidário, sendo filiado ao PSDB. Foi, de agosto de 2007 até 2010, Secretário Municipal de Transportes de São Paulo na gestão do prefeito Gilberto Kassab (então DEM) e Secretário de Estado Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, cargo que exerceu de dezembro de 2014 até 2016, na administração de Geraldo Alckmin (PSDB). Em maio de 2016, tornou-se Ministro da Justiça sob Michel Temer, que o indicou para o cargo de ministro do STF. Muitas polêmicas envolvem sua carreira. Creio que ele deveria ser mais discreto nesse momento e não participar de eventos como a tal "sabatina informal", ocorrida na chalana do senador Wilder Morais (PP-GO), com a presença de outros senadores, em 9 de fevereiro. A repercussão foi péssima! E, cá entre nós, há muitos juristas que são muito mais gabaritados que o senhor Alexandre de Moraes.

E vem a pergunta de alguns? E o FHC?

Em 2002, Fernando Henrique Cardoso indicou Gilmar Mendes para ministro do STF. Bem, em janeiro de 2000, Mendes fora nomeado advogado-geral da União por Cardoso. Fica o registro para aplacar alguns mais exaltados que sempre buscam casos semelhantes com o sociólogo acadêmico e pouco prático FHC.

Eu relato os fatos, rigorosamente pesquisados, além de observados, pois sou, como todos vocês, um viajante no tempo. O passado deve ser estudado para não repetirmos os mesmos erros, pois o momento presente é o único que existe. E temos que melhorá-lo.

domingo, 15 de janeiro de 2017

As Cinco Lembranças

Dedicado ao querido casal Patricia Marotta e Igor Colares, a seus filhos e aos amigos de Faculdade e da cena de Heavy Metal dos anos 80.

Estas são as cinco lembranças. Fazem parte da prática budista. A sugestão é que sejam repetidas todos os dias, como um mantra:
1) É da minha natureza o envelhecimento;
2) É da minha natureza a doença;
3) É da minha natureza a morte. Não há forma de escapar da morte;
4) Tudo que é querido para mim e todos que amo têm a natureza da mudança. Não há como escapar de ser separado deles.
5) Minhas ações são meus únicos pertences. Não há como escapar das consequências de minhas ações. Elas são a base na qual eu me sustento.

No sábado da semana passada, dia 7 de janeiro de 2017, pela manhã, recebi uma visita mais que especial: minha querida amiga Patricia Marotta e seu marido, Igor Colares, também um querido amigo. Patricia, eu e alguns amigos que estão na Web fizemos faculdade juntos e convivemos de forma muito agradável naqueles 4 anos, entre 1986 e 1989. Igor e eu, como vários amigos que também estão na Web, participamos da viva cena de Heavy Metal dos anos 80. Eu me lembro de ser um tempo mais tranquilo, menos veículos na rua, menos correria e menos pressão social.

Em 1987, há exatos 30 anos, pedi à Patricia, sempre com sua poderosa câmera fotográfica em mãos, para registrar um momento meu. É que eu iria cortar meus cabelos e começar a trabalhar formalmente (bem, existia alguma pressão social na época e muito preconceito, é claro). Então, ela tirou uma foto que ficou muito melhor que o modelo! E fica em um porta retratos desde então. Curiosamente, na época, creio que um pouco depois, Igor teve que cortar seus cabelos pelo mesmo motivo, como me contou na semana passada.

Há uns 20 anos eu reencontrei a Patricia em um concerto. Coincidentemente, o assento que eu comprei era ao lado do dela! Em outro dia, pouco depois do concerto, fui à sua casa e ela me deu muitas fotos e negativos de nossa passagem pela faculdade. Algum tempo depois, ela se casou com o Igor e, em alguns anos, eles mudaram para Curitiba.

Após minha entrada na rede social, alguns amigos de agora e de outrora rapidamente fizeram contato comigo. E eu também busquei alguns que estavam e/ou estiveram presentes em minha vida. Com muitos deles a comunicação é mais frequente. É o caso da minha amiga Patricia, pois recuperamos um pouco do dia-a-dia de outrora, mesmo que distantes e por meio digital.

E, para minha felicidade, recebi a visita do casal no sábado da semana passada, pois estavam em Belo Horizonte! E eu me lembrei da foto! E o casaquinho Adidas ainda existia, preservado para aquele momento!

E, após inúmeras outras fotos, com instrumentos musicais, Patricia e Igor produziram o 'setting' para mais um momento, 30 anos depois do primeiro. O mesmo modelo, a mesma blusinha de frio e a mesma fotógrafa!

Mas, pode vir uma pergunta à sua cabeça, caro amigo: 'Não há medo em seu coração, Ernesto? Você está muito mais velho. Sua franja já se foi! Os cabelos estão grisalhos! Seus olhos já não são mais os de um menino!'

E eu lhe respondo. Aprendi com as 'Cinco Lembranças', ensinamento da prática budista com que compartilho com o Igor. Com o aprendizado transmitido por elas, nossos temores se reduzem a pó, nossa alegria de viver aumenta e o respeito por nós mesmos e pelos seres que convivem conosco fica ainda maior.

E nos tornamos o que verdadeiramente sempre fomos, 'Viajantes no Tempo'!

Voltem sempre, caros amigos! E outros também!

Que todos os amigos tenham um ótimo domingo!

P.S. Agradeço à Rebecca Marotta por trabalhar o fundo das fotos de 2017 e ao meu irmão Alexandre por organizar esta produção e dar um toque final.



sábado, 31 de dezembro de 2016

Pare! Tenha plena atenção! Feliz 31 de Dezembro de 2016!

Agradeço-lhes pela leitura de minhas palavras em 2016. Apesar de sempre fazer uma viagem ao passado, todos textos desta página estão ligados com o momento presente, pois este é o único que verdadeiramente existe. Um passado mítico e perfeito é irreal. O futuro, desconhecemos.

Mas, é claro, desejo a todos que 2017 seja um ano repleto de muita saúde, paz e prosperidade!

Abs,

Ernesto Abreu Valle


domingo, 11 de dezembro de 2016

Ferreira Gullar, minha singela homenagem.

Sempre me protegendo do noticiário agressivo e repetitivo, que é ávido por telespectadores zumbis, não ligo muito a televisão para assistir aos telejornais. Mas gosto de saber das notícias. Sobre isso escrevi no meu texto 'Notícias Amenas' alguns meses atrás.

No domingo passado, no princípio da tarde, procurando saber do andamento das manifestações contra Calheiros, Congresso e outros, recebi pela televisão a triste notícia do falecimento de Ferreira Gullar.

Pouco li sobre isso nas redes sociais. A preocupação da maioria de seus participantes é sempre uma informação rasa, selfies desnecessários, funcionários públicos se mostrando em sua segunda ou terceira viagem internacional do ano, com o dinheiro nosso, pouco trabalho e sem medo de uma reação popular contra isso. Brigas intermináveis entre radicais de 'esquerda' e 'direita', com demonstrações de pouca inteligência, rancor, desconsideração para com os mais necessitados e valorização de ideologias furadas e de pouca prática.

Morria Ferreira Gullar. Falar de sua obra é tarefa difícil. De tão honesta, profunda e bela, as palavras me faltam. O discernimento que o poeta, tradutor, cronista, crítico de arte, artista plástico, dentre outras atividades, possuía era imbatível. Sua fala e escrita não eram dualistas, o que me fazia sentir cada vez mais atraído por suas opiniões. Tanta sabedoria parecia muita dentro de um só ser.

A dita 'esquerda' se sentia traída por ele, que já não se dizia mais marxista, pois, quando morou na URSS, se impressionou com a falta de iniciativa que o regime gerava nas pessoas, e era crítico dos governos do PT. A chamada 'direita' não se encantava com ele, pois Gullar continuava com posição firme contra o liberalismo econômico, criticando com firmeza sua ação devastadora quando não é controlado pelo estado.

Então, em um país de radicais, as redes sociais não se emocionaram com a morte de Gullar.

Mas aqui vai minha homenagem. Pessoa íntegra, honesta para consigo mesma e para com todos nós, não apegada a bens materiais. Rejeitou a tal 'bolsa ditadura' com veemência, dizendo que, 'como já era bem grandinho, sabia o que estava fazendo' quando lutou contra a ditadura militar, de forma pacífica, mas sofrendo da mesma forma que os que lutaram com armas. Era o verdadeiro socialista, pois sua gentileza o levou a, por exemplo, comprar um apartamento para sua empregada com parte do dinheiro de um prêmio literário.

Alto, magro, cabelos longos e sempre indignado com a dura realidade dos mais pobres em nossa sociedade. Gullar está entre as pessoas mais inteligentes que já escutei. Infelizmente não o conheci pessoalmente. Não teria sido só para uma foto. Seria para dizer 'Muito Obrigado!'.

Editei o vídeo em anexo, onde ele explica, com sua capacidade ímpar, o duelo dualista entre capitalismo selvagem e socialismo autoritário e sua fusão na China moderna.

Foi para além do mar, mas nos deixou de presente a sua infinita capacidade de sonhar!



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Deep Purple & George Harrison

1984. Após 8 anos sem nenhuma atividade, lá estava, de volta à ativa, o Deep Purple, uma das maiores referências em música, seja ela qual for, pois tem em seu repertório rock, blues, erudito, jazz, hard rock, dentre outras facetas dessa arte.
Em conheci a banda, que é de 1968, em um período em que ela não existia mais, por volta do final dos anos 70 e princípio dos anos 80, quando ainda criança. E, na minha adolescência, receber esse presente, foi algo mágico, auxiliado por alguns milhões de dólares que foram injetados nesse retorno, é claro.
Mas gostaria de me concentrar no dia 13 de dezembro de 1984. Algo raro, sob vários aspectos, aconteceu na, para mim, longínqua Austrália. George Harrison, que em muito poucas oportunidades se apresentou ao vivo, após os Beatles decidirem não tocar mais (apenas gravar discos), e mesmo em sua carreira solo (após o término dos Fab 4), se juntou ao Deep Purple para tocarem o clássico Lucille, do tresloucado Little Richard, um dos criadores do Rock.
Foi também uma das poucas oportunidades, que me recordo, em que músicos de ponta das duas primeiras gerações da 'British Invasion'* estiveram juntos em um palco. A outra foi nos shows de Paul McCartney no Cavern Club, após o disco 'Run Devil Run'. Talvez porque, em ambos os casos, os músicos da Segunda 'Invasão' já convivessem, principalmente em estúdio, com os da Primeira, durante os anos 60.
Uma alma iluminada registrou esse encontro em vídeo, possivelmente dos bastidores. Obrigado à ela!

*British Invasion: 'Invasão' de grupos ingleses de rock no mercado americano de música, durante os anos 60. Beatles, Rolling Stones, The Who e Moody Blues são os grandes expoentes desta. Eu considero mais duas bem claras 'Bristish Invasions': a segunda, durante os anos 70, com grupos de Hard Rock e Rock Progressivo, notadamente Deep Purple, Black Sabbath, Led Zeppelin, Uriah Heep, Nazareth, Pink Floyd, Yes, Genesis e ELP, citando os 8 mais famosos; e a terceira, durante os anos 80, tendo os grupos de Heavy Metal Iron Maiden, Judas Priest, Def Leppard e os Scorpions (apesarem de serem alemães, pegaram carona no jeito inglês de fazer rock) como seus maiores expoentes.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Eu Quero Sair Daqui e Tocar Minha Guitarra!

A primeira foto foi tirada pelo meu pai no longínquo 19...
Mas vou caminhar um pouco no tempo.
Quando eu tinha uns 10, 12 anos, recebi o resultado do ano escolar. Mesmo com muito sufoco, eu fui aprovado. Estudar era a única coisa que fazia, e, mesmo sendo um esforço, para minha mãe e meu pai, manter meu irmão e eu em bons colégios, não retribuíamos seu sacrifício. Sempre passei de ano, mas só comecei a dar o real valor após os 15 anos.
Bem, meu pai, depois de sair comigo e fazer a matrícula do ano seguinte, estacionou em um supermercado. E eu lhe disse alguma coisa como: 'Agora eu vou ficar uns 2 meses sem me preocupar com nada'. Ele, um mestre, nada respondeu, nem olhou para mim. Ali tive uma das minhas muitas 'pequenas grandes' iluminações. Apesar de nunca ter sido rico (longe disso), vivo em um país onde a maioria das pessoas nunca chegaram perto das mesmas oportunidades que tive. Consegui agradecê-lo em vida muitas vezes. E à minha mãe sempre agradeço.
Em vários momentos, quando sentados na biblioteca centenária onde leciono, meu pai me disse: 'Eu lhes deixarei esta casa e a instrução. A casa vocês podem vender e, com o tempo, perder o dinheiro. Mas a instrução, jamais perderão. Ninguém pode tirá-la de vocês!' E até hoje, mesmo em um país em que a cultura é desvalorizada, a instrução (e a educação que minha mãe e ele me deram) já me tiraram de difíceis situações. Também aprendi com ele a ser autodidata. E isso também sempre me ajudou.
Nesta semana da criança, agradeço muito a meus pais! Agradeço também por me transmitirem a alma musical. Mas sobre isso falarei em outro dia.
O bebê que já mexia seus dedos, louco pela música, é hoje uma pessoa de muitas atividades. Uma delas, guitarrista de uma banda de Rock. Há 28 anos, desde que comecei a trabalhar, as responsabilidades só aumentam. As cobranças são muitas. Mas o medo não habita em mim, pois sou um ser biológico de zilhões de anos e já passei por bons bocados e sobrevivi a todos eles!
A semelhança com o bebê: os cabelos, que voltaram a ser louros!
Bem, felicidades aos meus amigos que conseguem manter a criança dentro de si, aos seus filhos e aos amiguinhos e amiguinhas que ainda são crianças!
P.S. A segunda foto é de Jeová Guimarães! Felicidades para você e sua família, meu caro, e obrigado pela foto!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Menino de Azul


Vejo o quadro 'O Menino de Azul', pintado pelo inglês Thomas Gainsborough (1727-1788), todos os dias. Ou melhor, uma reprodução dele, que fica na sala de jantar de minha casa. É curioso o efeito hipnótico do quadro.
Para descrever como ele foi criado, peço ajuda ao meu xará, o escritor austríaco Ernst Josef Gombrich (1909 - 2001), autor do maravilhoso livro 'A História da Arte':
"É fascinante observar um artista esforçando-se por alcançar o equilíbrio adequado. Mas, se lhe perguntássemos porque fez isso e mudou aquilo, talvez ele fosse incapaz de nos explicar. O artista não obedece a regras fixas, ele simplesmente intui o caminho a seguir. É verdade que alguns artistas ou críticos, em certos períodos, tentaram formular leis para a sua arte; mas sempre se constatou que artistas medíocres não conseguiam nada quando tentavam aplicar essas leis, ao passo que os grandes artistas podiam desprezá-las e, ainda assim, conseguir uma nova espécie de harmonia em que ninguém pensara antes. Quando o grande pintor inglês Sir Joshua Reynolds explicou a seus alunos da Royal Academy que o azul não podia ser inserido no primeiro plano de uma pintura, mas reservado para fundos longínquos, para as colinas a se desvanecerem gradualmente no horizonte, seu rival Gainsborough - segundo reza a história - resolveu provar que tais regras acadêmicas eram usualmente absurdas. Pintou então o famoso 'O Menino de Azul', cujo traje azul, em primeiro plano e no centro do quadro, se destaca triunfantemente contra o cálido castanho do fundo."
Há uma frase muito importante, também de Gombrich, do mesmo livro, que completa sua explicação, podendo ser também transportada para nossa vida pessoal, nos ajudando a romper barreiras, abandonar verdades absolutas e nos oferecer a liberdade de ação:
"Todos nós alimentamos crenças que consideramos tão axiomáticas quantos os "primitivos" consideram as deles - usualmente a um ponto tal que delas nem nos conscientizamos, a menos que deparemos com gente que as questione."
Infelizmente, muitas vezes, a mente já está demasiadamente dominada e corrompida e é tarde demais.
Mas em outras tantas, felizmente, a recuperação é possível. E deve ser buscada para uma vida mais saudável.
Muita arte e inspiração para suas vidas!
Ernesto Abreu Valle